sexta-feira, 17 de junho de 2016

Grilhões

Quero hoje sair sem regresso.
Na liberdade que o vento me proporcionar de andar a passos largos sendo levada a um horizonte que ainda não sei, mas quero ir.
Não ver no rosto ao lado tristeza do abandono e nem mesmo um não vai - sou seu dono.
Quero respirar o cheiro de inverno que passeia por entre árvores.
Quero ser eu sendo minha natureza.
Quero sorrir para quem eu queira sorrir.
Quero apertar a mão de quem eu queira apertar a mão.
Quero na preguiça da manhã de sol leve permitindo o inverno, deixar minhas mãos serem levadas por meus pensamentos e desenhar a magia do desejo, estampa-lo em paredes descompromissadas.
Desejo expressar amor pelo próximo, pelo doido, machucado, desvirtuado, marginalizado, os das fronteiras da vida e da sociedade.
Quero o silêncio para escutar o grito da humanidade.
Amenizar  o olhar do povo distante em guerra invencível.
Dar água ao sedento.
Dar palavras aos surdos e chegar sem aviso nas células descrentes de meu cérebro ambíguo.
Quero ser eu, sorrindo de verdade. 
O sorriso mentiroso que a sociedade me acolhe me atormenta pois vivo o tormento de não poder ser sorriso por inteiro.
Quero hoje arrancar os grilhões que as mãos me prendem e o coração me escraviza.  
Hoje vou sair sem regresso!

2 comentários:

O ponto certo do amor disse...

que lindo, tia.
Bjs, Bruna

Tais Luso de Carvalho disse...

Lindo, lindo, também quero essa liberdade!!! Ser dona do meu coração e das minhas atitudes.
Beijos, querida!

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