quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Solidão

O que tem a solidão e a foto de um cavalo?
Estava passeando em uma linda manhã de outono.
O outono no Nordeste dos Estados Unidos realmente é belíssimo. 
Passei a caminho de Peperel e um cavalo que pastava tranquilo ao lado da casa de seu proprietário, uma doce égua, caminhou lentamente em minha direção, observou, caminhou mais um pouco, olhou-me outra vez e eu a fotografei.
 Olhando bem em seus olhos, observei uma tranquilidade e um Bom dia. 
Uma simples e leve cerca de arame nos separava.
 Ela obedecendo o espaço continuou em seu discreto observar.
Após três horas, tinha um apontamento.
Cheguei para aguardar minha hora - identifiquei-me - e fui avisada que aguardaria mais 10 minutos, o que realmente era o meu horário. 
No ambiente estava uma jovem menina aparentava 20 anos que sorrindo,
 apertava as teclas do telefone.
Ao fundo uma vivida senhora de aparente 70 anos, brigava com os óculos procurando acertar o teclado do telefone.
Um jovem casal, cada um com seu telefone, clicava enviando suas mensagens. Não se olhavam. Não se falavam. Apenas estavam lado a lado. Quando o nome foi chamado levantaram em direção a atendente sem mesmo trocarem um último e único olhar e sumiram atrás da primeira porta. 
A atendente por sua vez,  de cabeça baixa atrás do balcão que escondia suas atividades, inebriantemente  teclava o celular.
A experiente senhora foi para a sala ao fundo. 
Eu fui chamada para a segunda porta onde encontrei a pessoa que iria me atender de cabeça baixa, disse-me: -Um momento, envio uma mensagem ao meu filho.
A solidão era minha que caminhava sozinha pela manhã gostosa de outono, era da égua que atenciosa caminhou em minha direção, ou  um resultado triste da era digital?
Ninguém viu ou sentiu o olhar do outro nesta manhã.
Onde se encontra o racional?

Nashua 2013

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