O Riacho
Hoje o riacho atreveu-se um pouco mais.
Desceu com águas caudalosas assombrando o anoitecer. Deixou na saudade o seu cantar sonoro no rasgar as pedras.
A chuva incessante e insensata como se nada temesse, sem querer ouvir o silêncio do anoitecer,
dançando, caia por entre folhas ardentes,
gotejando em seus brotos sufocados, água límpida e fria.
Entregue ao medo e à surdez que a água provia,
vi as horas passando,
senti o cansaço dos vagabundos,
a inércia dos preguiçosos,
a tristeza dos solitários
a curiosidade dos vencedores,
o medo dos ímpios e a alegria dos justos.
A manhã chegou ,
trouxe em seus minutos gotas fortes de certeza que o dia seria chuvoso.
Hoje o riacho atreveu-se ainda mais!
Sonia Inácio
Nashua/ 2014
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