O dia amanheceu triste.
Frio. Nublado.
Isto não era motivo para tristeza, mas eu sentia no ar que o dia amanheceu e estava triste.
Quando chove ou esfria amo fazer quitutes, curtir meus cantinhos, meus guardados, meus escritos. me
Uma manhã diferente.
Ao lado de minha casa tem um terreno.
O proprietário cercou para evitar intrusos, mas não tem o mínimo cuidado.
Por vezes manda capinar já que aparecem algumas pequenas árvores - mas só isto, vão, cortam os arbustos e nem recolhem o que fica. Outros passam vê o terreno descuidado jogam bolsa de lixo.
Uma vergonha; a Prefeitura nada faz para que isto resolva.
O lixo acumulado fica úmido, habitat natural para pequenos roedores, insetos, caramujo africano.
Próximo está a primavera vão começar as chuvas e consequentemente vamos ver os caramujos subindo os muros. Uma tragédia.
Hoje escutei homens conversando e logo depois começaram o corte das arvores e o fizeram rapidamente.
Voltei na sacada e a cena que assisti foi resposta ao meu coração machucado pela manhã.
Inúmeros beija-flores em voos rasantes à procura de seus ninhos.
Um, dois, três, quatro... até não dar mais para contar.
Em uma oportunidade eu já havia conversado para aguardarem os pequeninos pássaros levantarem voo.
Riram, inclusive o proprietário e debocharam imitando minha suplica.
Tudo o que estava presente eram os pássaros.
Voos rasantes.
Talvez piares alucinantes em busca de seus ovos ou pequenos filhotes.
Queria falar a língua dos pássaros.
Queria dizer a eles o tamanho de minha dor.
Quero mesmo é falar aos homens - que homens?
Nenhum comentário:
Postar um comentário