sábado, 23 de julho de 2011

Gilda

Gilda ia com uma vestimenta que a deixava com silhueta alongada na alongada avenida onde gosto de sentar-me em um pequeno restaurante durante as tardes, um cafezinho e relax.


A atenção que dava ao celular tirava qualquer atenção ao redor.


Olhava atentamente ao visor do aparelho, tropeçando em seus próprios passos calçados em uma bota marron já que a tarde se apresentava um tanto fria.


Também o que Gilda precisaria olhar ao redor?


E lá ia na sofreguidão de uma notícia ou mensagem que não existia - queria ou precisava encher o coração no frio que já se apresentava, um aconchego na vida fria que mais fria ficava com o frio que se apressava.


Gilda não olhava que a calçada terminara. O olhar atento em recados imagináveis tirou-lhe o momento, aquele momento que ela desfilava pela lânguida avenida solitária.

Ela a avenida que só existia com meu olhar e os passos desesperados da bota marron que ornava as magras pernas de Gilda debateu-se agora no fim da calçada quebrada em que um bueiro entre aberto.


O grito de Gilda não escutei, foi abafado pela sirene de um carro de bombeiro que passava e que diante do entrave da cena parou e socorreu Gilda.


Nada vi , tudo muito rápido.


Só visualizei o celular aberto no braço que Gilda fortemente sustentou para o ar na maca onde os bombeiros a amarrou.

Onde estava agora o olhar de Gilda?

Na maca?

No bombeiro?

No celular?


A solidão está matando!

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